segunda-feira, 30 de julho de 2012

Torça o nariz

Não diga que não gosta ou que não quer, apenas torça o nariz. Sabe por quê? É mais educado. Na etiqueta social o subjetivo é o suprassumo da educação. Funciona assim: você dá a entender que não gosta e o outro somente compreende - caso compreenda. Evita o desconforto de... ter que falar. Não sei qual é o fundamento disso, dessa comunicação falsa e esnobe.

Imagino que tenha surgido por um engano. A realeza francesa lá da época do "L'État c'est moi", durante um pomposo banquete, com suas bocas cheias de sei lá o que era gastronomicamente elegante na época, negava mais porções dessa coisa torcendo o nariz - será que já era abominável falar com a boca cheia?

Bom, isso porque as damas, esmagadas pelos charmosos espartilhos, estavam em suas últimas mastigadas e não podiam comer mais. E os cavalheiros, estes já estavam empanturrados.

-A senhorita deseja outra fatia do pernil?
-... (torcendo o nariz)

De fato, o nariz protagonizou muitas cenas nas realezas francesas. Qual era o Louis que não curtia um rapé? Para uma etiqueta que aceitou espirros como sinônimo de distinção, uma torcidinha de nariz seria um charme. A Feiticeira, com sua habilidade nasal, teria, ocupado facilmente o posto de Marie Antoinette em Versailles. Ah, esses monarcas!


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