As pessoas são complicadas. É o ofício do ser humano, tornar-se complexo. E a psicologia, a psiquiatria e a psicanálise? Somos objeto de estudo de nós mesmos! Somos vítimas de nossa complexidade - ou pensamos que somos. O fato é que ninguém é igual, e isso incomoda. Ah, como incomoda...
Este incômodo faz nascer uma coisa esquisita: o padrão (a robotização). O padrão é um vilão. Ele quer encontrar defeitos em você, para que não seja normal. Afinal, se eu não sou, você também não é, e aceite isso com o rabo entre as pernas. Qualquer desvio de conduta é uma aberração, porque contraria a lógica do padrão. Você precisa ser um robô!
Se você é triste, tem o diagnóstico de depressão. Não pode! Então que tome remédios. Feliz demais? É bipolar. Medroso? Síndrome do pânico, fobia social, deficiência de alguma vitamina que você nem sabia que existia. Tem comido pouco? É anorexia, procure logo um tratamento! Se é gay, então, nem te conto... Alguma igreja perto da casa da tia da empregada cura isso, ouvi dizer.
As pessoas são diferentes porque ninguém é igual. Você consegue entender isso? Consegue entender por que não pode arrotar à mesa ou assoar o nariz em público? Por favor, meu amor, tenha modos e não me faça passar vergonha. Tenha os malditos modos, siga os padrões. E a etiqueta francesa, se for possível.
Os românticos, que ontem eram artistas, hoje são doentes, quiçá esquizofrênicos. Que tomem remédio! Se pensou em suicídio, vá para um manicômio. Você pode ser feliz. E os sentimentos? Não sei, a medicação os escondeu. Agora não penso mais com paixão e minha poesia perdeu a profundidade. Mas sou feliz, é o que dizem.
Ah, que merda. Deixem-me ser louca!
Papai e eu no meu baile de debutantes, em 2003 ou 2004.
Foi ridículo. E eu nem gostava de vestir branco.

Um comentário:
Gostei muito, Dani. Me deixou pensativa!
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